19 December 2007
Eu pago por...
... um bom momento! Porque, já diz o povo, é o que fica desta vida!
Há uns anos havia alguém que me dizia assim: "epá, tu compras a melhor aparelhagem do mercado. Vais para casa todo contente e durante um dia, dois.. uma semana.. um mês que seja (!) vais curtir aquilo ao máximo. Mas com o tempo isso vai passando e a magia da aparelhagem desaparece, se é que a continuas a usar. Mas com as viagens não: tu viajas hoje e podes crer que as recordações te acompanharão para sempre. É o melhor investimento que pode fazer!"
Eu corroboro na íntegra desta comparação. E para mim as viagens ficam porque trazem sempre estórias e aventuras, passagens e conversas, que no quotidiano não têm nunca lugar. Por isso eu não me importo nada de pagar por um bom momento! Porque a alegria que vou sentir de cada uma das dezenas de vezes que me lembrar dele vai compensar largamente as notas que ali deixar. Por isso eu não quero que amigo meu algum se recuse a jantar comigo por "não lhe dar jeito". Quero lá saber dessa merda: eu pago! Por isso eu não quero que alguém não venha comigo a um espectáculo "porque o bilhete é caro". Quero lá saber dessa merda: eu pago! Altruísmo? Não. Antes pelo contrário, é puro egoísmo. É a minha alegria, o meu contentamento, que eu estou a comprar. E faço-o porque sei que muitos o fariam e fazem comigo também.
Há uns anos havia alguém que me dizia assim: "epá, tu compras a melhor aparelhagem do mercado. Vais para casa todo contente e durante um dia, dois.. uma semana.. um mês que seja (!) vais curtir aquilo ao máximo. Mas com o tempo isso vai passando e a magia da aparelhagem desaparece, se é que a continuas a usar. Mas com as viagens não: tu viajas hoje e podes crer que as recordações te acompanharão para sempre. É o melhor investimento que pode fazer!"
Eu corroboro na íntegra desta comparação. E para mim as viagens ficam porque trazem sempre estórias e aventuras, passagens e conversas, que no quotidiano não têm nunca lugar. Por isso eu não me importo nada de pagar por um bom momento! Porque a alegria que vou sentir de cada uma das dezenas de vezes que me lembrar dele vai compensar largamente as notas que ali deixar. Por isso eu não quero que amigo meu algum se recuse a jantar comigo por "não lhe dar jeito". Quero lá saber dessa merda: eu pago! Por isso eu não quero que alguém não venha comigo a um espectáculo "porque o bilhete é caro". Quero lá saber dessa merda: eu pago! Altruísmo? Não. Antes pelo contrário, é puro egoísmo. É a minha alegria, o meu contentamento, que eu estou a comprar. E faço-o porque sei que muitos o fariam e fazem comigo também.
16 December 2007
Afinal...
... ainda há momentos que nos fazem pensar que viver compensa. E quando temos uma daquelas pessoas, assim uma daquelas pessoas do nosso pódio, a dedicar-nos umas linhas em silêncio e sem publicidades, sem interesses, somos levados a pensar que é por isto, por quem gostamos e por quem nos gosta, que vale a pena este trajecto de fim imprevisto.
Abraço primão.
Abraço primão.
08 December 2007
Despertador monocórdico

Hoje acordei com este jovem a falar ao meu lado, assim mesmo mesmo ao meu lado. Mas para além de não ser muito normal receber visitas de manhã, também estranhei aquela lenga-lenga da cooperação entre Europa e África, porque não acho que seja a maneira mais própria de se acordar alguém. E foi assim, meio estremunhado, que lá abri um olho para ver que raio fazia ele ali!
Vou inventar um comando para a TV da sala, em que o botão de diminuir o volume ocupe assim... vá lá... 99,9287% da área total do comando! Embrulho muito bem embrulhadinho, e ofereço-o com o mais cândido dos sorrisos aos meus maravilhosos papás.
01 December 2007
20 November 2007
RIP
Na profissão que escolhi, e que para o caso pouco importa, tenho a cada momento sob minha liderança e responsabilidade toda uma equipa de homens naturalmente diferentes entre si, mas todos mais velhos que eu, empenhados, responsáveis, de instrução muitas vezes limitada, e oriundos das mais diversas partes do País e do Mundo.
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Em finais de 2005 conheci o JR. Eu, com escassos e ignorantes 5 ou 6 meses de profissão; e ele, que talvez não tivesse ainda 40 anos de vida, mas concerteza mais de 20 de trabalho. Eu, muito naturalmente burro, mas ávido de ver e aprender; e ele de sorriso no rosto com paciência infinita para me mostrar e ensinar. Ambos no mesmo local de trabalho, perto de Lisboa. Eu, alfacinha, em casa; ele, minhoto, longe da dele. Lá fomos involuntariamente criando a proximidade que 12 horas diárias de trabalho conjunto muito facilitam.
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Certa hora, de um anoitecer frio de Primavera, o JR aproximou-se sem o sorriso puro que lhe conhecia. Dez anos em trabalhos consecutivos na zona de Lisboa, significavam também dez anos longe da casa, filhos e mulher que lá no Alto Minho permaneciam. Dez anos tão insuficientemente interrompidos por algumas horas de visitas semanais. Naquele fim de tarde o JR libertou quase tudo o que podia, limitando-se a custo a conter as lágrimas que a situação crónica de um casamento em que a mulher já nem lhe falava, lhe provocavam.
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Mexendo onde podia com a minha inexperiência e palavra de pouco peso, lá consegui que o JR fosse de férias para salvar o casamento, tendo sido seguidamente colocado a trabalhar no Porto. "Sim, as coisas agora estão melhores. Sempre dá para ir a casa também a meio da semana. É diferente!" Foi o que lhe ouvi então dizer. Ouvi, feliz por ele, e com certa e confessa dose de orgulho.
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Encontrei o JR no Almoço de Natal de 2006 da empresa. Mais de meio ano depois. Abracei-o e perguntei-lhe se estava bem. "Estou. Agora estou!" E sorriu. De novo o sorriso puro de tão puro minhoto. Não o voltei a ver nessa festa. Nem nunca mais.
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Na manhã de ontem o JR morreu na estrada. A ir de casa para o Porto para trabalhar. Irado pelo atraso que uma qualquer contrariedade lhe provocou. Irritado porque, por uma vez em anos, não tinha conseguido estar às 8h00 onde devia.
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O meu dia de trabalho hoje acabou mais cedo. O meu sorriso também.
19 November 2007
Coincidências
Estou a ler o novo do MST. Acabo de ler uma passagem em que uma das personagens - Pedro é deixado pela namorada. Angelina, o nome da jovem, quer ser pintora nesse Portugal do Estado Novo e então resolve ir para Paris. Depois disto decorre o seguinte diálogo entre ele e o irmão (mais velho):
"- Sabes, estas coisas, às vezes, são mais complicadas do que estamos à espera. A Angelina não é uma pessoa vulgar, normal. Talvez este não fosse o vosso tempo. Ela quer mesmo ser pintora e isso não tem nada a ver com os sentimentos em relação a ti...
- E tu achas que isso me consola?
(...)
- Não sei que te dizer, Pedro. Realmente, não há consolo algum nisto, nem sequer em saberes que ela te ama e que não foi por não te amar que se foi.
- Diogo, agradeço o teu esforço. Dou graças a Deus por ter um irmão como tu, com a tua sensibilidade. Mas não precisas de dizer nada: eu sei que posso contar contigo e isso é tudo o que me basta, agora. O resto, tudo o que eu sinto... ninguém, nem mesmo tu, me pode ajudar.
(...)
- Pedro, tens 29 anos: a vida não acaba aqui. Falhou uma oportunidade, mas terás outras para ser feliz.
- Uma parte de mim morreu para sempre com a partida da Angelina. E uma parte importante, acredita."
Também uma parte de mim morreu com a tua partida. A mais importante, acredita!
13 November 2007
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