"O Tejo é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia,
Mas o Tejo não é mais belo que o rio que corre pela minha aldeia
Porque o Tejo não é o rio que corre pela minha aldeia.
O Tejo tem grandes navios
E navega nele ainda,
Para aqueles que vêem em tudo o que lá não está,
A memória das naus.
O Tejo desce de Espanha
E o Tejo entra no mar em Portugal.
Toda a gente sabe isso.
Mas poucos sabem qual é o rio da minha aldeia
E para onde ele vai
E donde ele vem.
E por isso porque pertence a menos gente,
É mais livre e maior o rio da minha aldeia.
Pelo Tejo vai-se para o Mundo.
Para além do Tejo há a América
E a fortuna daqueles que a encontram.
Ninguém nunca pensou no que há para além
Do rio da minha aldeia.
O rio da minha aldeia não faz pensar em nada.
Quem está ao pé dele está só ao pé dele."
Alberto Caeiro
08 July 2007
07 July 2007
Conclusão inconclusiva
"Se gostas de mim, se gosto de ti, se isto não chega tens o Mundo ao contrário"
01 July 2007
Mulheres
São como as ondas do mar. Vêm e vão. Nunca iguais, nunca repetidas, nunca repetíveis. Cada uma com o seu som. Cada uma a explodir à sua maneira. Cada uma a salgar a areia de modo desigual. Todas deixam, neste areal que sou eu, o seu perfume e o seu rasto. A seguinte não apaga a anterior, mascara-a.
Mas quando vaza a maré há uma marca que perdura infinitamente mais que todas as outras. A da que foi a última onda da maré cheia. E fico eu fustigado por esse arrastar de cloretos que me enfraquece a termo incerto.
Mas quando vaza a maré há uma marca que perdura infinitamente mais que todas as outras. A da que foi a última onda da maré cheia. E fico eu fustigado por esse arrastar de cloretos que me enfraquece a termo incerto.
12 June 2007
Companheira
Há más companhias, há boas companhias, e depois há companhias especiais. E entre estas há assim a mais especial de todas. As que nos conforta. Que continua a fazer-nos sentir protegidos. Aquela que quando falta causa um pequeno desnorte cá dentro.
A companhia da nossa Mãe é óptima, não é?
A companhia da nossa Mãe é óptima, não é?
07 June 2007
É impressionante...
... e o cúmulo da arrogância, a facilidade com que se acusam outras pessoas sem querer saber e ouvir a verdade.
Conceitos
Felizardos são aqueles que nascem com muitas coisas.
Felizes são os que têm coisas por mérito do trabalho e do esforço.
Gosto tanto de ser feliz..
Felizes são os que têm coisas por mérito do trabalho e do esforço.
Gosto tanto de ser feliz..
05 June 2007
Velhice
O último livro digno que li foi esse delicioso "O que a vida me ensinou" de Valdemar Cruz.
O livro trabalha longas conversas, daquelas que vão tarde dentro, com direito a chá de tília a arrefecer sobre a mesa, que este jornalista teve com diversos homens e mulheres com mais de 70 anos.
A idade não é um posto, por si só. Certo. Mas é apaixonante, emocionante ver como esta gente aguarda serenamente a chegada da hora última. E como olham para trás, e como em quase todos eles se denota uma amargura na vida. Julgo eu que seja pelo declínio de enredo que se verifica com o passar dos nossos anos. A pergunta é só esta: esse declínio, não começará assim que ganhamos consciência?
A vida é fantástica. Uma riqueza que tantas vezes menosprezamos. Mas pode ser como um copo de água deixado ao Sol: acaba sempre vazio.
A vida será assim? Somos tão ignorantes...
O livro trabalha longas conversas, daquelas que vão tarde dentro, com direito a chá de tília a arrefecer sobre a mesa, que este jornalista teve com diversos homens e mulheres com mais de 70 anos.
A idade não é um posto, por si só. Certo. Mas é apaixonante, emocionante ver como esta gente aguarda serenamente a chegada da hora última. E como olham para trás, e como em quase todos eles se denota uma amargura na vida. Julgo eu que seja pelo declínio de enredo que se verifica com o passar dos nossos anos. A pergunta é só esta: esse declínio, não começará assim que ganhamos consciência?
A vida é fantástica. Uma riqueza que tantas vezes menosprezamos. Mas pode ser como um copo de água deixado ao Sol: acaba sempre vazio.
A vida será assim? Somos tão ignorantes...
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